Quando as oito hipóteses¹ possíveis que seriam testadas para a análise do setor farmacêutico foram definidas, elas se dividiram entre políticas públicas, posição natural do Brasil por sua vocação e seu conjunto de valores, e finalmente pelo comportamento dos agentes econômicos privados.
As hipóteses 03, 05 e 06 tratam basicamente da mesma coisa, sendo complementares: querem avaliar se a inovação no setor farmacêutico tem dispersão, e consequente acesso pela população, ou se está concentrada em nichos e classes econômicas muito específicas; se a alocação dos recursos destinados à inovação medicamentosa segue padrões internacionais bem-sucedidos, realmente capazes de alterar o panorama nacional de acesso a tecnologias farmacêuticas pela população; e se a visão e as ações dos líderes empresariais e do poder público são dotadas de inteligência organizacional, coragem e visão de futuro suficientes diante do desafio brasileiro.
O lado humano da indústria
Neste artigo, começaremos pelo ser humano discretamente posicionado atrás das herméticas estruturas empresariais.
“Meu filho, que já atua na Blanver, tem visitado centros oncológicos… Muito em oncologia é sobre cuidados paliativos… É muito duro. É difícil aceitar essa realidade…”, contou-me Sérgio, com tom de voz entristecido.
Ao ser perguntado se ele era o responsável pela qualidade de vida de um de meus grandes amigos, no caso de uma doença específica, resistiu à vaidade. Logo depois, com a minha insistência, e com uma licença para sentir, Sérgio disse que sim. E lembrou o caso de um amigo dele mesmo, que sofreu pelos efeitos colaterais de tratamentos de 1ª geração para esse mesmo mal, e que, através da Blanver introduzindo novas gerações de tratamentos, teve esse efeito reduzido, melhorando significativamente sua qualidade de vida.
“Olhamos para o retorno líquido dos projetos, claro, mas consideramos o resultado como uma consequência natural.” Os fatores que mais influenciam a tomada de decisão, que é realizada em conjunto com um conselho consultivo, são relacionados a impacto, apreensão de tecnologias e geração de empregos, segundo ele. “É por isso que eu e meu pai temos o controle da empresa, para decisões importantes que levem em conta nossos valores”.
É o que me disse Sérgio, ao que me pareceu ser um adepto do pós-modernismo, capítulo do século 20 que questiona as certezas e os dogmas do homo economicus e busca humanizar temas que pareciam tratar unicamente de uma razão pragmática, que o ser humano nem de perto domina por inteiro.
Filho de Giuseppe Frangioni, espanhol da Catalunha que estudou engenharia elétrica em Buenos Aires e acabou imigrando para o Brasil, onde fundou a Blanver, Sérgio Frangioni percorreu comigo o caminho que leva à compreensão da visão de parte dos empresários do setor. Em outras palavras, o comportamento de uma parcela, que quero crer relevante, dos agentes econômicos privados.
Inovação, acesso e decisões de portfólio
Quando fala de inovação, Sérgio fala de dois vetores importantes para sua tomada de decisões em investimentos: necessidade médica não atendida, uma camada pequena que inicia em inovação e resulta em posição estratégica, e acesso, que acaba em inovação e resulta em escala. Ele frisa uma questão importante: embora as margens do setor sejam robustas, grande parte desse resultado, perto de 70% no caso da Blanver, precisa ser reinvestido em novas “apostas” de portfólio. E as perdas por esses investimentos em produtos inovadores são grandes. Algo a se pensar.
As decisões da liderança para as linhas de atuação da empresa, no caso da Blanver, já levam em conta mercados externos, o que demonstra a maturidade da organização. Sérgio cita que procura não desfocar seu portfólio, pelos perigos que a largura de catálogo demonstrou na história corporativa nos últimos 50 anos. No caso da Blanver, os esforços estão em HIV, hepatite C, osteoporose, oncologia, hematologia e doenças raras².
Falando de HIV, a experiência da Blanver é profunda e já goza do privilégio do olhar de longo prazo, muito em razão da importância que a empresa conquistou por sua utilidade como ator de suporte e cocriação de valor em áreas de interesse do poder público.
Foi a Blanver que, em 2014, em parceria com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), e através de uma PDP, fez a nacionalização produtiva das combinações para HIV³, um antirretroviral que associa dois princípios ativos em um único comprimido, e que naquele ano tratou-se da combinação do fumarato de tenofovir desoproxila 300 mg e lamivudina 300 mg, popularmente conhecido como 2 em 1. Com a iniciativa, houve um aumento considerável no acesso aos medicamentos pela população, um dos pontos que avaliamos nesse conjunto de artigos. Neste caso através do SUS.
Sérgio citou outro caso importante dentro da especialidade HIV. Em 2018, em outra parceria produtiva com o governo, via Ministério da Saúde, a Blanver participou da nacionalização produtiva de medicamentos para PrEP – profilaxia pré-exposição.
Tomada antes da exposição ao vírus, a PrEP é a combinação de dois medicamentos, o tenofovir e a entricitabina, que bloqueiam alguns “caminhos” que o HIV usa para infectar o organismo. Nesse caso, o governo celebra vários resultados importantes, como a redução do número de novos soropositivos, além da queda dos óbitos por HIV entre 2023 e 2024 e o menor número de mortes em 32 anos, além de outros ganhos importantes no conjunto de ações de enfrentamento4.
Sérgio comenta que o fator da resistência viral, fenômeno em que o HIV, por mutações acumuladas ao longo de sua replicação, reduz a sensibilidade a determinados antirretrovirais, ajuda a explicar por que o tratamento precisa ser contínuo e por que a indústria segue ajustando combinações, doses e formulações. É um esforço contínuo.
Em oncologia, outra área à qual a Blanver tem dedicado esforços, a lógica parece se repetir, indicando uma cultura empresarial já bastante definida. Sérgio comenta que trouxe um medicamento da França há quatro anos, e que durante todo esse tempo a empresa teve prejuízo financeiro nesse projeto. “Se quero ser relevante em oncologia, esse é o preço a pagar”, disse, com muita certeza sobre os caminhos escolhidos.
A Blanver está operando com medicamentos usados em cuidados paliativos oncológicos, o que, na visão de Sérgio, gera um impacto importante: o aumento do tempo de vida desses pacientes. “O que estamos trazendo é acesso, ofertando medicamentos genéricos, e também opções inovadoras, para gerar benefícios de custo para a população.”
Sérgio pensa que o governo está vendo a situação, se referindo às demandas em oncologia, e que está dando sinais que pretende atender a 75% desse quadro, em um novo modelo de encomenda tecnológica.
E, falando de relações com o governo federal, através do Ministério da Saúde, Anvisa e das PDPs, sente que a relação tem sido importante; e que acredita ter contribuído muitas vezes, como no caso dos medicamentos para HIV: “A gente trouxe, mostrou pro governo”.
A coordenação entre governo, indústria e acesso
A Blanver fabrica IFAs em uma unidade farmoquímica própria em Indaiatuba, no interior de São Paulo. São principalmente antirretrovirais e medicamentos estratégicos do SUS, com destaque para dolutegravir, tenofovir, entricitabina, lamivudina e efavirenz, em diferentes combinações terapêuticas. Segundo Sérgio, houve crescimento nos últimos cinco anos, algo na ordem de 300%, grande parte induzido pelas parcerias com o governo.
Sobre fabricar IFAs, Sérgio cita que as especialidades podem crescer no Brasil, no contexto setorial e para a Blanver, mas que não crescerão na mesma taxa da demanda e dos medicamentos prontos. Esse crescimento é importante se observado focalmente na organização experimentando tal fenômeno, ou se observada a importância como prova de conceito ou prova de valor, mas em números relativos às necessidades do país, tal crescimento é insuficiente, chegando a ser desprezível se comparado com a evolução de outros países, como China. Para a Blanver, o resultado é estratégico.
Sérgio considera as PDPs um grande alavancador de tecnologia, responsável por ampliar o acesso da população a medicamentos e tratamentos, com impacto direto no número de pessoas atendidas. Além disso, o programa cria uma agenda permanente entre empresas, laboratórios públicos e Ministério da Saúde, o que também tem valor institucional. E lembra que as PDPs pertencem à mesma família de instrumentos usados por governos desenvolvidos para transformar demanda pública em capacidade tecnológica: compras públicas de inovação, encomendas tecnológicas, contratos de desenvolvimento, compras antecipadas e mecanismos de compartilhamento de risco.
A Comissão Europeia tem uma página específica sobre Public Procurement of Innovation5, afirmando que compras públicas representam mais de 14% do PIB da UE e podem criar um grande mercado para produtos e serviços inovadores. A Comissão declara que busca melhorar práticas de compra pública, promover demanda por bens e serviços inovadores e integrar a demanda pública ao ecossistema de inovação europeu.
Mais especificamente para medicamentos, a União Europeia conta com a Pharmaceutical Strategy for Europe6, adotada em 2020, que declara objetivos como apoiar pesquisa e tecnologias que cheguem aos pacientes, tratar falhas de mercado, garantir acesso, fortalecer inovação, competitividade, sustentabilidade industrial e cadeias de suprimento seguras.
E logo depois vemos o Critical Medicines Act7, proposto em 2025. Ele é especialmente útil para esse artigo, porque fala explicitamente em melhorar disponibilidade, fornecimento e produção de medicamentos críticos dentro da UE, de criar projetos estratégicos para medicamentos ou ingredientes críticos, de facilitar acesso a financiamento, de usar compras públicas para incentivar resiliência de cadeias e de apoiar compras colaborativas entre Estados membros.
O governo americano usa a BARDA8 e o Project BioShield9 para financiar desenvolvimento avançado, contratar, comprar e estocar contramedidas médicas, incluindo medicamentos, vacinas e terapias.
Outra iniciativa importante, dessa vez reunindo a comunidade global, é o CARB-X10, que suporta a inovação através do desenvolvimento de novos antibióticos para combater bactérias resistentes às drogas tradicionais, e que tem como parceiros financiadores países como EUA, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Japão, Itália e algumas organizações privadas, como a Gates Foundation, a fundação Novo Nordisk e a Wellcome11, uma instituição sem fins lucrativos que financia iniciativas em ciência. Reflito a ausência do Brasil.
De volta ao nosso país, as encomendas tecnológicas, segundo Sérgio, são uma combinação clássica entre ociosidade da indústria e déficits de medicamentos, e compõem uma equação muito difícil, que envolve problemas estruturais do país, incluindo orçamento público. Além disso, têm um caráter político muito forte.
Para ele, o governo aprendeu muito durante todos esses anos, e cita o caso da derrubada do parágrafo único do artigo 40 da Lei de Propriedade Industrial. Na avaliação de Sérgio, a regra transformava a demora do INPI em vantagem competitiva para titulares de pedidos de patente. Durante a fila de análise, o requerente já operava sob a sombra jurídica de uma futura exclusividade; depois da concessão, o titular ainda recebia um prazo mínimo de exploração contado a partir da decisão do INPI. Na prática, o gargalo administrativo, em função do acúmulo de pedidos, podia funcionar como barreira à entrada de concorrentes e como prolongamento econômico do monopólio, retardando o acesso da população a opções mais baratas.
Para Sérgio, o Brasil fez o que os países desenvolvidos fizeram, equalizando a questão das patentes, e o efeito desse movimento foi a possibilidade de internalizar a produção de medicamentos com níveis de acesso muito importantes.
Governança, decisões empresariais e lideranças do setor
Sérgio menciona que as parcerias com organismos públicos trouxeram outros ganhos para a Blanver e para o setor. Uma delas é a relação com o BNDES, que ajudou a estruturar práticas mais formais de governança. “O banco exigiu governança de fato e hoje temos um conjunto de boas práticas dentro da Blanver.”
Segundo Sérgio, é verdade que o setor tem acesso a boas taxas de juros e prazos de carência para financiamentos – mais baixas principalmente para projetos de pesquisa e desenvolvimento – o que facilita alocação e adequação a fluxos de caixa. Mas essa oportunidade vem com obrigações e escolhas que não são fáceis de fazer.
É preciso coragem para transferir os resultados positivos de linhas de produtos que já deram certo para cobrir os prejuízos de outras apostas que ainda não encontraram o ponto ótimo de volume e receita. E é o que a Blanver vem fazendo, citando um projeto de oncologia que vem gerando prejuízos há quatro anos e que Sérgio acredita que seja o preço natural a ser pago para uma posição relevante nessa classe de terapias.
Por outro lado, essas apostas podem trazer resultados importantes, como a parceria que a Blanver acaba de fazer com uma empresa sediada em Malta, com diversos centros de pesquisa distribuídos pelo mundo, e que é fruto da cultura de inovação e colaboração da empresa. Esse movimento tem o potencial de abrir mercado para a Blanver em mais de 50 países com demandas importantes, trazer escala e ganhos em competitividade, e Sérgio gosta da ideia do impacto que a Blanver pode levar a essas populações.
“Muitos no Brasil querem fazer mais do mesmo, mas acreditamos que estamos gerando riqueza”, comentou Sérgio quando discutíamos a origem do capital para esses projetos. A empresa tem o BNDES e o FINEP como grandes parceiros, e um 3º componente: sua própria geração livre de caixa, que é realocada nos projetos da empresa, criando uma linha contínua de continuidade e existência causal para a Blanver.
O amanhã ainda é uma escolha
Acreditando que a reforma tributária pode melhorar o ambiente de negócios, Sérgio cita a complexidade do país como uma das principais barreiras para a continuidade desse desenvolvimento, que percebemos claramente ter existido até aqui.
Ele reconhece que há uma desoneração federal relevante para parte dos medicamentos, a lista positiva, mas argumenta que isso não elimina o problema maior de acesso, porque continuam pesando ICMS, custo de distribuição, complexidade tributária e logística, os principais fatores que compõe o custo Brasil.
O objetivo deste artigo não é concluir, tarefa que provavelmente caberá ao conjunto da série sobre a indústria farmacêutica nacional. Mas a conversa com Sérgio Frangioni, e antes disso com Reginaldo Arcuri e Jaeder Morais, parece indicar a existência de um ecossistema rico e diverso, com empresários e atores conscientes de nossa situação, ainda que com visões diferentes, e uma estrutura pública que age, aprende e tenta acertar. Ministério da Saúde, Anvisa, BNDES e FINEP são apenas os exemplos mais visíveis de uma máquina institucional que, com suas limitações, já produziu vitórias indiscutíveis e resultados reais para a população.
Em certa medida, faz parecer que o amanhã é uma alternativa viável e dependente, em boa parte, de nossas próprias escolhas.
- Brasil, inovação e o setor farmacêutico – HSM Management
- BNDES aprova R$ 220 mi à farmacêutica Blanver para produção de medicamentos e IFAs Página Inicial | Agência BNDES de Notícias
- Farmanguinhos obtém registro de mais dois medicamentos estratégicos para o SUS – Notícia – UNA-SUS
- Brasil elimina transmissão vertical do HIV, da mãe para o bebê, e alcança menor taxa de mortalidade dos últimos anos — Ministério da Saúde
- Public Procurement of Innovation – Internal Market, Industry, Entrepreneurship and SMEs
- A pharmaceutical strategy for Europe – Public Health – European Commission
- Critical medicines Act – Public Health – European Commission,
- Medical Countermeasures | BARDA Project BioShield
- Project BioShield and the Biomedical Advanced Research Development Authority: A 10-Year Progress Report on Meeting US Preparedness Objectives for Threat Agents | Clinical Infectious Diseases | Oxford Academic
- Home – Carb-X
- Home | Wellcome
Automatic translation by Google Translate. It may contain inaccuracies; refer to the original text. This translation was not authored by Rodrigo Magnago.
When the eight possible hypotheses¹ that would be tested for the analysis of the pharmaceutical sector were defined, they were divided between public policies, Brazil's natural position due to its vocation and its set of values, and finally the behavior of private economic agents.
Hypotheses 03, 05 and 06 basically deal with the same thing, being complementary: they want to assess whether innovation in the pharmaceutical sector is dispersed, and consequently accessible by the population, or whether it is concentrated in niches and very specific economic classes; if the allocation of resources destined for drug innovation follows successful international standards, truly capable of changing the national panorama of access to pharmaceutical technologies by the population; and whether the vision and actions of business leaders and public authorities are endowed with sufficient organizational intelligence, courage and vision of the future in the face of the Brazilian challenge.
The human side of the industry
In this article, we will start with the human being discreetly positioned behind hermetic corporate structures.
"My son, who already works at Blanver, has been visiting oncology centers... A lot of oncology is about palliative care... It's very hard. It's difficult to accept this reality...", Sérgio told me, with a saddened tone of voice.
When asked if he was responsible for the quality of life of one of my great friends, in the case of a specific illness, he resisted his vanity. Soon after, with my insistence, and with a license to feel, Sérgio said yes. And he recalled the case of a friend of his, who suffered from the side effects of first generation treatments for this same condition, and who, through Blanver introducing new generations of treatments, had this effect reduced, significantly improving his quality of life.
“We look at the net return of projects, of course, but we consider the result as a natural consequence.” The factors that most influence decision-making, which is carried out in conjunction with an advisory board, are related to impact, technology capture and job creation, according to him. “That’s why my father and I have control of the company, for important decisions that take our values into account.”
This is what Sérgio told me, who seemed to me to be a supporter of post-modernism, a chapter of the 20th century that questions the certainties and dogmas of homo economicus and seeks to humanize themes that seemed to deal solely with a pragmatic reason, which human beings do not even nearly fully master.
Son of Giuseppe Frangioni, a Spaniard from Catalonia who studied electrical engineering in Buenos Aires and ended up immigrating to Brazil, where he founded Blanver, Sérgio Frangioni walked with me the path that leads to understanding the vision of the sector's entrepreneurs. In other words, the behavior of a portion, which I want to believe to be relevant, of private economic agents.
Innovation, access and portfolio decisions
When he talks about innovation, Sérgio talks about two important vectors for his investment decision-making: unmet medical needs, a small layer that starts with innovation and results in a strategic position, and access, which ends in innovation and results in scale. He highlights an important issue: although the sector's margins are robust, a large part of this result, close to 70% in the case of Blanver, needs to be reinvested in new portfolio “bets”. And the losses from these investments in innovative products are large. Something to think about.
Leadership decisions for the company's lines of action, in the case of Blanver, already take external markets into account, which demonstrates the maturity of the organization. Sérgio mentions that he tries not to blur his portfolio, due to the dangers that catalog width has demonstrated in corporate history over the last 50 years. In the case of Blanver, efforts are in HIV, hepatitis C, osteoporosis, oncology, hematology and rare diseases².
Speaking of HIV, Blanver's experience is profound and already enjoys the privilege of a long-term perspective, largely due to the importance that the company has achieved through its usefulness as a support actor and co-creation of value in areas of interest to public authorities.
It was Blanver that, in 2014, in partnership with the Institute of Drug Technology (Farmanguinhos/Fiocruz), and through a PDP, carried out the productive nationalization of combinations for HIV³, an antiretroviral that combines two active ingredients in a single tablet, and that year was the combination of tenofovir disoproxil fumarate 300 mg and lamivudine 300 mg, popularly known as 2 in 1. With the initiative, there was a considerable increase in access to medicines by the population, one of the points we evaluated in this set of articles. In this case through SUS.
Sérgio cited another important case within the HIV specialty. In 2018, in another productive partnership with the government, via the Ministry of Health, Blanver participated in the productive nationalization of medicines for PrEP – pre-exposure prophylaxis.
Taken before exposure to the virus, PrEP is the combination of two medications, tenofovir and emtricitabine, which block some “pathways” that HIV uses to infect the body. In this case, the government celebrates several important results, such as the reduction in the number of new HIV positives, in addition to the drop in HIV deaths between 2023 and 2024 and the lowest number of deaths in 32 years, in addition to other important gains in the set of actions to combat4.
Sérgio comments that the factor of viral resistance, a phenomenon in which HIV, through mutations accumulated throughout its replication, reduces sensitivity to certain antiretrovirals, helps to explain why treatment needs to be continuous and why the industry continues to adjust combinations, doses and formulations. It's an ongoing effort.
In oncology, another area to which Blanver has dedicated efforts, the logic seems to repeat itself, indicating an already well-defined business culture. Sérgio comments that he brought a medicine from France four years ago, and that throughout this time the company had a financial loss on this project. “If I want to be relevant in oncology, this is the price to pay”, he said, with great certainty about the paths chosen.
Blanver is operating with medicines used in palliative oncology care, which, in Sérgio's view, has an important impact: increasing the lifespan of these patients. “What we are bringing is access, offering generic medicines, and also innovative options, to generate cost benefits for the population.”
Sérgio thinks that the government is seeing the situation, referring to the demands in oncology, and that it is showing signs that it intends to meet 75% of this situation, in a new technological ordering model.
And, talking about relations with the federal government, through the Ministry of Health, Anvisa and the PDPs, he feels that the relationship has been important; and that he believes he has contributed many times, as in the case of HIV medicines: “We brought it, we showed it to the government”.
Coordination between government, industry and access
Blanver manufactures APIs in its own pharmaceutical chemical unit in Indaiatuba, in the interior of São Paulo. These are mainly antiretrovirals and strategic medicines from the SUS, with emphasis on dolutegravir, tenofovir, emtricitabine, lamivudine and efavirenz, in different therapeutic combinations. According to Sérgio, there has been growth in the last five years, something in the order of 300%, largely driven by partnerships with the government.
Regarding manufacturing IFAs, Sérgio mentions that specialties can grow in Brazil, in the sectoral context and for Blanver, but that they will not grow at the same rate as demand and ready-made medicines. This growth is important if observed focally in the organization experiencing such a phenomenon, or if the importance is observed as a proof of concept or proof of value, but in numbers relative to the country's needs, such growth is insufficient, becoming negligible compared to the evolution of other countries, such as China. For Blanver, the result is strategic.
Sérgio considers PDPs to be a great lever of technology, responsible for expanding the population's access to medicines and treatments, with a direct impact on the number of people served. Furthermore, the program creates a permanent agenda between companies, public laboratories and the Ministry of Health, which also has institutional value. And remember that PDPs belong to the same family of instruments used by governments developed to transform public demand into technological capacity: public purchases of innovation, technological orders, development contracts, advance purchases and risk sharing mechanisms.
The European Commission has a specific page on Public Procurement of Innovation5, stating that public procurement represents more than 14% of the EU's GDP and can create a large market for innovative products and services. The Commission states that it seeks to improve public procurement practices, promote demand for innovative goods and services and integrate public demand into the European innovation ecosystem.
More specifically for medicines, the European Union has the Pharmaceutical Strategy for Europe6, adopted in 2020, which states objectives such as supporting research and technologies that reach patients, addressing market failures, ensuring access, strengthening innovation, competitiveness, industrial sustainability and secure supply chains.
And soon after we see the Critical Medicines Act7, proposed in 2025. It is especially useful for this article because it explicitly talks about improving availability, supply and production of critical medicines within the EU, creating strategic projects for critical medicines or ingredients, facilitating access to finance, using public procurement to encourage chain resilience and supporting collaborative procurement between member states.
The American government uses BARDA8 and Project BioShield9 to fund advanced development, contracting, purchasing and stockpiling medical countermeasures, including medicines, vaccines and therapies.
Another important initiative, this time bringing together the global community, is CARB-X10, which supports innovation through the development of new antibiotics to combat bacteria resistant to traditional drugs, and which has as funding partners countries such as the USA, Germany, United Kingdom, Canada, Japan, Italy and some private organizations, such as the Gates Foundation, the Novo Nordisk foundation and Wellcome11, a non-profit institution that funds science initiatives. I reflect the absence of Brazil.
Back in our country, technological orders, according to Sérgio, are a classic combination between industry idleness and medicine deficits, and make up a very difficult equation, which involves the country's structural problems, including the public budget. Furthermore, they have a very strong political character.
For him, the government has learned a lot during all these years, and cites the case of the overturn of the sole paragraph of article 40 of the Industrial Property Law. In Sérgio's assessment, the rule transformed INPI's delay into a competitive advantage for patent application holders. During the analysis queue, the applicant was already operating under the legal shadow of future exclusivity; After the concession, the holder still received a minimum exploration period starting from the INPI decision. In practice, the administrative bottleneck, due to the backlog of orders, could act as a barrier to the entry of competitors and as an economic extension of the monopoly, delaying the population's access to cheaper options.
For Sérgio, Brazil did what developed countries did, equalizing the issue of patents, and the effect of this movement was the possibility of internalizing the production of medicines with very important levels of access.
Governance, business decisions and sector leadership
Sérgio mentions that partnerships with public bodies have brought other gains for Blanver and the sector. One of them is the relationship with BNDES, which helped to structure more formal governance practices. “The bank demanded real governance and today we have a set of good practices within Blanver.”
According to Sérgio, it is true that the sector has access to good interest rates and grace periods for financing – lower especially for research and development projects – which facilitates allocation and adjustment to cash flows. But this opportunity comes with obligations and choices that are not easy to make.
It takes courage to transfer the positive results of product lines that have already worked to cover the losses of other bets that have not yet found the optimal volume and revenue point. And that's what Blanver has been doing, citing an oncology project that has been generating losses for four years and which Sérgio believes is the natural price to be paid for a relevant position in this class of therapies.
On the other hand, these bets can bring important results, such as the partnership that Blanver has just formed with a company based in Malta, with several research centers distributed around the world, and which is the result of the company's culture of innovation and collaboration. This movement has the potential to open up the market for Blanver in more than 50 countries with important demands, bring scale and gains in competitiveness, and Sérgio likes the idea of the impact that Blanver can have on these populations.
“Many in Brazil want to do more of the same, but we believe that we are generating wealth”, commented Sérgio when we discussed the origin of the capital for these projects. The company has BNDES and FINEP as major partners, and a 3rd component: its own free cash generation, which is reallocated in the company's projects, creating a continuous line of continuity and causal existence for Blanver.
Tomorrow is still a choice
Believing that tax reform can improve the business environment, Sérgio cites the country's complexity as one of the main barriers to the continuity of this development, which we clearly see has existed until now.
He recognizes that there is a relevant federal exemption for part of the medicines, the positive list, but argues that this does not eliminate the greater problem of access, because ICMS, distribution costs, tax and logistics complexity continue to weigh on them, the main factors that make up the cost in Brazil.
The objective of this article is not to conclude, a task that will probably fall to the entire series on the national pharmaceutical industry. But the conversation with Sérgio Frangioni, and before that with Reginaldo Arcuri and Jaeder Morais, seems to indicate the existence of a rich and diverse ecosystem, with businesspeople and actors aware of our situation, even if with different views, and a public structure that acts, learns and tries to get it right. Ministry of Health, Anvisa, BNDES and FINEP are just the most visible examples of an institutional machine that, with its limitations, has already produced indisputable victories and real results for the population.
To a certain extent, it makes it seem like tomorrow is a viable alternative and largely dependent on our own choices.
- Brazil, innovation and the pharmaceutical sector – HSM Management
- BNDES approves R$ 220 million to pharmaceutical company Blanver for the production of medicines and IFAs Home Page | BNDES News Agency
- Farmanguinhos obtains registration of two more strategic medicines for the SUS – News – UNA-SUS
- Brazil eliminates vertical transmission of HIV, from mother to baby, and achieves lowest mortality rate in recent years — Ministry of Health
- Public Procurement of Innovation – Internal Market, Industry, Entrepreneurship and SMEs
- A pharmaceutical strategy for Europe – Public Health – European Commission
- Critical medicines Act – Public Health – European Commission,
- Medical Countermeasures | BARDA Project BioShield
- Project BioShield and the Biomedical Advanced Research Development Authority: A 10-Year Progress Report on Meeting US Preparedness Objectives for Threat Agents | Clinical Infectious Diseases | Oxford Academic
- Home – Carb-X
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