Enquanto o Brasil ocupa a 66ª posição no Índice Global de Inovação, um diagnóstico urgente emerge dos estúdios de design: a criatividade nacional é brilhante, mas esbarra em modelos organizacionais arcaicos. Rodrigo Leme, arquiteto e designer gaúcho com mais de 50 premiações internacionais (incluindo 3 iF Awards e 1 RedDot), expõe a raiz do problema: empresas brasileiras – das PMEs às grandes corporações – ainda tratam inovação aepnas com a intuição.
Além de arquiteto e designer, Rodrigo é proprietário do Grupo Criativo no Rio Grande do Sul, e vencedor de três premiações iF Awards, um RedDot, entre 50 premiações ao total. Tem em seu portfólio trabalhos para empresas como IFood, BRMania, Ambev, Fleury, RodOil, Termolar, Flexform, SLC Agrícola, entre muitos outros.
O que Rodrigo trouxe para esse artigo, em nossas discussões para a formação deste editorial, é a dificuldade em trabalhar com empresas que têm ambientes informais de inovação, o que, na sua opinião, compõe a grande maioria.
Segundo ele, a maior parte das empresas têm, no papel central de inovador, seus donos. Fenômeno em parte explicado por seu papel de poder em modelos organizacionais simplistas, esses empresários carecem de dados econométricos críveis, observação empírica cuidadosa de seus mercados e, já no que tange ao desenvolvimento de produtos propriamente dito, a completa ausência de metodologias já pacificadas para a multidisciplinariedade que os trabalhos requerem.
Cita também que existem as grandes empresas com modelos ultrapassados, onde o design não consegue atingir os diretores e presidentes, e não compõe a matriz estratégica da organização.
Rodrigo acrescenta que não espera que empresas médias tenham estruturas sofisticadas como as grandes multinacionais, que contam com comitês de diferentes naturezas observando cada etapa do processo, com pesquisas quantitativas e qualitativas de elevado custo, ou mesmo com profissionais com vasta experiência em novos produtos e serviços, mas que modelos mais simples e muito efetivos poderiam ser implantados nessas empresas, o que, em sua visão, certamente geraria valor e riqueza.
“É desgastante e caro para mim. Eu tenho que convencer esses empresários e executivos a compreenderem e decidirem, e muitas vezes ensinar procedimentos em nível básico. A maioria das empresas Brasileiras não têm o design implícito em seus modelos de negócios, basta olharmos para nosso histórico em patentes industriais no mundo.
A grande maioria dos empresários querem que suas empresas avancem em sua capacidade de criar novos produtos e serviços, assim como melhorar os existentes, mas ainda contam muito com a intuição, o que costuma falhar e não trazer melhorias para a capacidade da empresa. Querem, sabem que precisam, mas não têm as capacidades instaladas em seus modelos de negócios.
Muitas vezes, e digo que isso é bem recorrente, empresas grandes se parecem com as pequenas, sem qualquer modelo organizacional que possibilite o desenvolvimento de riqueza nova. Eu já deveria ter me acostumado com esse fato nos últimos 20 anos de atuação, mas sigo me impressionado e lutando para que esse cenário mude.”
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While Brazil ranks 66th in the Global Innovation Index, an urgent diagnosis emerges from design studios: national creativity is brilliant, but it comes up against archaic organizational models. Rodrigo Leme, architect and designer from Rio Grande do Sul with more than 50 international awards (including 3 iF Awards and 1 RedDot), exposes the root of the problem: Brazilian companies – from SMEs to large corporations – still treat innovation only with intuition.
In addition to being an architect and designer, Rodrigo is the owner of Grupo Criativo in Rio Grande do Sul, and winner of three iF Awards, one RedDot, among 50 awards in total. His portfolio includes work for companies such as IFood, BRMania, Ambev, Fleury, RodOil, Termolar, Flexform, SLC Agrícola, among many others.
What Rodrigo brought to this article, in our discussions for the formation of this editorial, is the difficulty in working with companies that have informal innovation environments, which, in his opinion, make up the vast majority.
According to him, most companies have their owners in the central role of innovator. A phenomenon partly explained by their role of power in simplistic organizational models, these entrepreneurs lack credible econometric data, careful empirical observation of their markets and, when it comes to product development itself, the complete absence of already pacified methodologies for the multidisciplinary nature that the work requires.
He also mentions that there are large companies with outdated models, where design cannot reach directors and presidents, and does not form part of the organization's strategic matrix.
Rodrigo adds that he does not expect medium-sized companies to have sophisticated structures like large multinationals, which have committees of different types observing each stage of the process, with high-cost quantitative and qualitative research, or even with professionals with extensive experience in new products and services, but that simpler and very effective models could be implemented in these companies, which, in his view, would certainly generate value and wealth.
"It's exhausting and expensive for me. I have to convince these businesspeople and executives to understand and decide, and often teach procedures at a basic level. Most Brazilian companies do not have design implicit in their business models, we just need to look at our history in industrial patents around the world.
The vast majority of businesspeople want their companies to advance in their ability to create new products and services, as well as improve existing ones, but they still rely heavily on intuition, which tends to fail and not bring improvements to the company's capacity. They want it, they know they need it, but they don't have the capabilities installed in their business models.
Often, and I say this is quite common, large companies look like small ones, without any organizational model that allows the development of new wealth. I should have gotten used to this fact in the last 20 years of acting, but I continue to be impressed and fight for this scenario to change.”