O iF Design Awards está no Brasil desde 2002, e nesses 23 anos de presença no país desse ótimo modelo alemão de incentivo à criatividade, Juliana Buso e a equipe do Centro Brasil Design lideraram as atividades por 20 anos.
Se o iF Awards pode ser considerado como benchmark dos níveis de inovação de um país, Juliana sabe como ninguém a quantas anda o desenho industrial e a inventividade Brasileira.
Segundo Juliana, o iF Design Awards tem tido uma característica profundamente conceitual no Brasil. A premiação tem sido perseguida por designers e criativos muito mais que por empresas e organizações, e ela acredita que esse fenômeno é consequência da falta de cultura de empresários e dirigentes de empresas quanto ao uso do design nas melhorias em produtos e serviços e na criação de novas receitas.
O governo federal envolveu-se na causa entre 2004 e 2012, com políticas claras de incentivo, e trabalhou em parceria com o iF Design Awards para inscrever mais projetos. A iniciativa chamava-se Design Excelence Brazil, e envolvia o Ministério da Industria e Comércio (MDIC), a APEX (agência promotora de comércio exterior), ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e em algumas edições, o Sebrae.
Juliana diz que o orçamento era pequeno à época, mas ainda assim o programa incentivou de 80 a 100 produtos brasileiros para serem inscritos no prêmio internacional e que o governo logo suspendeu o incentivo financeiro de apoio à indústria para se inscrever na premiação alemã, sob a percepção de que a cultura havia sido criada.
Juliana considera o número baixo e lembra que à época faltava engajamento de outras entidades para que a penetração fosse mais granular.
Quando perguntada sobre que projetos recorda terem impactado os consumidores Brasileiros de forma profunda, ou mesmo levado empresas e produtos Brasileiros ao exterior, Juliana se esforça, mas se recorda apenas dos mais atuais, e conclui:
“O Brasil ainda não detém uma marca global, em qualquer área, pois faltam políticas públicas para tal. Se temos um exemplo que comprova isso, é nossa indústria aeronáutica. Com apoio, se transformou no que é hoje.”
Ainda assim, o Brasil é importante no contexto do iF Design Awards, ainda que pelas mãos de designers sem apoio estratégico e muitas vezes sem razões econômicas. O país segue levando projetos anualmente e se destacando nas premiações, uma contradição como tantas outras que presenciamos todos os dias. O prêmio hoje conta com a participação de mais de 60 países.
Juliana vê possibilidades para o design do país, especialmente na oferta de serviços de design para empresas mundiais, tema em que acredita que o Brasil possa ser competitivo, mas que é preciso conscientização dos diferentes stakeholders envolvidos no processo, pois para ela a questão é de política de estado ao final do dia.
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The iF Design Awards have been in Brazil since 2002, and in these 23 years of presence in the country of this great German model for encouraging creativity, Juliana Buso and the Centro Brasil Design team have led the activities for 20 years.
If the iF Awards can be considered a benchmark for a country's levels of innovation, Juliana knows like no one else how far Brazilian industrial design and inventiveness goes.
According to Juliana, the iF Design Awards have had a deeply conceptual characteristic in Brazil. The award has been pursued by designers and creatives much more than by companies and organizations, and she believes that this phenomenon is a consequence of the lack of culture among businesspeople and company directors regarding the use of design in improving products and services and creating new revenue.
The federal government became involved in the cause between 2004 and 2012, with clear incentive policies, and worked in partnership with the iF Design Awards to submit more projects. The initiative was called Design Excellence Brazil, and involved the Ministry of Industry and Commerce (MDIC), APEX (foreign trade promotion agency), ABDI (Brazilian Association for Industrial Development) and in some editions, Sebrae.
Juliana says that the budget was small at the time, but the program still encouraged 80 to 100 Brazilian products to be registered for the international award and that the government soon suspended the financial incentive to support the industry to register for the German award, under the perception that culture had been created.
Juliana considers the number low and remembers that at the time there was a lack of engagement from other entities so that penetration could be more granular.
When asked which projects she remembers having had a profound impact on Brazilian consumers, or even taking Brazilian companies and products abroad, Juliana tries hard, but only remembers the most current ones, and concludes:
"Brazil still does not have a global brand, in any area, as there is a lack of public policies to do so. If we have an example that proves this, it is our aeronautical industry. With support, it has transformed into what it is today."
Still, Brazil is important in the context of the iF Design Awards, even if at the hands of designers without strategic support and often without economic reasons. The country continues to present projects annually and stand out in awards, a contradiction like so many others we see every day. The award today has participation from more than 60 countries.
Juliana sees possibilities for the country's design, especially in offering design services to global companies, a topic in which she believes Brazil can be competitive, but which requires awareness of the different stakeholders involved in the process, as for her the issue is one of state policy at the end of the day.